26/08/2025 10:41:39
O setor imobiliário, tradicionalmente marcado por negociações complexas e altos valores de entrada, começa a passar por uma verdadeira revolução com a chegada da tokenização imobiliária. O Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI) publicou, no Diário Oficial da União em 15 de agosto de 2025, a Resolução nº 1.551, estabelecendo as primeiras normas oficiais para a tokenização imobiliária no país, um marco regulatório inédito que busca alinhar o mercado brasileiro às tendências globais do uso de blockchain e DLT.
Mas afinal, o que é tokenização? Esse termo trata-se de um processo em que um imóvel, ou parte dele, é representado digitalmente em forma de tokens, geralmente registrados em uma blockchain, tecnologia que garante segurança, rastreabilidade e transparência nas transações.
Segundo Luiz Sérgio de Assis Pereira Júnior, consultor imobiliário especializado no mercado de alto padrão, essa mudança representa muito mais do que um avanço tecnológico. “Estamos diante de um divisor de águas para o setor. A tokenização democratiza o acesso ao investimento imobiliário, permitindo que investidores participem de projetos antes restritos a grandes aportes financeiros. Para o mercado de luxo, isso abre espaço para novos modelos de negócios, amplia a liquidez e traz um nível de transparência que fortalece a confiança dos investidores, tanto nacionais quanto internacionais”, finaliza.
Como funciona?
Em termos simples, o imóvel é “fatiado” em várias cotas digitais, chamadas de tokens. Cada token representa uma fração do valor ou do direito sobre o bem, seja participação nos aluguéis recebidos, na valorização futura ou em outros ganhos atrelados ao ativo.
Esses tokens podem ser comprados, vendidos ou transferidos por investidores de forma mais simples e acessível do que a aquisição de um imóvel inteiro.
Exemplo prático
Imagine um prédio avaliado em R$ 10 milhões. Ele pode ser dividido em 10.000 tokens, cada um valendo R$ 1.000. Assim, em vez de precisar comprar o prédio inteiro, um investidor pode adquirir apenas alguns tokens e participar dos ganhos proporcionais gerados pelo imóvel.
Acesso democratizado: pequenos investidores podem entrar no mercado imobiliário sem necessidade de grandes aportes.
Liquidez: os tokens podem ser negociados rapidamente em plataformas digitais.
Transparência: a blockchain reduz riscos de fraude e aumenta a confiança.
Diversificação: com pouco capital, é possível investir em vários imóveis diferentes.
Papel dos corretores
Mesmo com a digitalização dos processos, os corretores de imóveis mantêm um papel estratégico. A resolução prevê que eles:
Intermediem as transações;
Validem documentos e informações;
Auxiliem na verificação cadastral dos investidores;
Garantam o cumprimento de normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Inovações tecnológicas e sandbox regulatório
A Resolução nº 1.551 incentiva o uso de Smart Contracts para automatizar processos, reduzir custos e mitigar riscos. Além disso, oferece um ambiente regulatório experimental (sandbox), em vigor a partir da publicação, que permitirá que empresas testem modelos e tecnologias por até 12 meses.
Desafios atuais
Apesar do grande potencial, a tokenização ainda enfrenta alguns obstáculos:
Regulação: no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já estuda e regulamenta alguns formatos, mas o mercado ainda está em adaptação.
Segurança tecnológica: a solidez das plataformas digitais é essencial para proteger investidores.
Aceitação de mercado: por ser uma novidade, ainda exige a construção de confiança entre empreendedores, gestores e investidores.